ROLÉ CARIOCA

ROLÉ CARIOCA

Tempo de leitura: 8 minutos

Rolé Carioca. LUZ, CAMERA, AÇÃO! Em junho, o Rolé Carioca apresenta seu primeiro roteiro temático: Centro antigo e seus cinemas. O roteiro visita nove prédios históricos que foram palco da efervescência cultural da cidade na primeira metade do século 20. A história da sétima arte na cidade e do próprio desenvolvimento do cinema brasileiro é o tema do passeio a pé, que acontece dia 30/06, a partir das 9 horas da manhã, com concentração na Praça Tiradentes.

Em junho, o Rolé Carioca, sistema de difusão de conteúdos históricos e culturais do Rio de Janeiro, apresenta seu primeiro Rolé Temático . E como o Centro da Cidade é um dos roteiros favoritos do público, é por ele que a série será inaugurada, apresentando um pouco da efervescência cultural da cidade na primeira metade do século 20 por meio da história dos cinemas de rua, tão populares no período.

Os passeios do Rolé Carioca são uma forma de disseminar os conteúdos levantados pelo projeto, que se encontra em sua 7ª edição. Os diferentes roteiros pelas ruas do Rio de Janeiro já reuniram mais de 15 mil pessoas, que caminharam por mais de 200 quilômetros desde 2013.

Para o Rolé, explorar a cidade a pé é uma das principais formas de conhecer suas nuances e desenvolver o senso de pertencimento ao território. Com o auxílio dos professores-guias do projeto, a experiência coletiva desvenda histórias e memórias e reforça o imaginário coletivo acerca da cidade e seus símbolos.

O Rolé Carioca é uma realização do estúdio M’Baraká, com consultoria de conteúdo do coordenador nacional do curso de História da Estácio, Rodrigo Rainha, e do historiador William Martins – mestres de cerimônia do projeto e guias dos passeios. O portal www.rolecarioca.com.br reúne todos os roteiros já realizados, informações, curiosidades e dados históricos sobre a cidade.

O projeto tem patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal de Cultura, Estácio e RioCard Mais e conta ainda com o copatrocínio das empresas SHIFT ETT e Cinesystem. Todos os patrocínios foram realizados por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei do ISS.

Belle époque do cinema

Capital antenada com as novidades e invenções da Europa do final do século 19 e início do século 20, o Rio de Janeiro viveu intensamente o glamour da era de ouro dos cinemas. A avenida Rio Branco, os arredores da Praça Tiradentes e a região que depois veio a ser conhecida como Cinelândia concentravam as salas de exibição que projetavam filmes europeus, norte-americanos e – a partir da década de 30 – produções brasileiras.

Este período se estendeu até meados da década de 70, quando os cinemas de rua começaram a entrar em decadência até serem substituídos, a partir dos anos 90, por igrejas evangélicas ou salas especializadas em filmes pornográficos.

No entanto, a memória deste período continua viva e vibra nas fachadas de prédios históricos que retratam diferentes estilos – da art déco à art nouveau – e oferecem surpresas como a cúpula projetada pelo engenheiro francês Gustave Eiffel para o Cine Ideal, entre outras curiosidades.

Uma delas é a origem do nome Cinelândia, dado à região que começou, a partir dos anos 1920, a concentrar as melhores salas de cinema da cidade. Francisco Serrador, um dos empresários de entretenimento da época, queria transformar o local na “Broadway brasileira”.

Embora a maior parte destes cinemas encontre-se desativada, os prédios mantém sua estrutura preservada – seja pelo tombamento, seja pela revitalização, seja pela reforma para diversos usos, garantindo um passeio pra lá de interessante para os “rolezeiros”.

Roteiro – Centro Antigo e seus cinemas

Teatro Carlos Gomes

Construído em 1872, apenas em 1904 – após ser adquirido pelo empresário Paschoal Segreto – recebeu o nome de Carlos Gomes, em homenagem ao grande compositor brasileiro, autor de ‘O Guarani’. Em 1929, sofreu o primeiro de seus vários incêndios e o antigo prédio foi reconstruído em estilo art déco. Em 1950 e 1960, voltou a ser incendiado e em 1984 foi tombado como patrimônio histórico e cultural da cidade.

Cine Ideal

Inaugurado em 1909, o Ideal rivalizava com o Cine Íris, ambos localizados na rua da Carioca que ficava intransitável pela quantidade de pessoas que se amontoava em frente aos cinemas na hora da exibição. Um de seus frequentadores assíduos foi o jurista e escritor Ruy Barbosa. Sua cúpula, assinada por Gustave Eiffel, foi sensação da cidade à época: ela se abria durante as sessões para refrescar o ambiente – sendo a única casa na América do Sul a fazer projeções ao ar livre.

Cine Iris

Inaugurado em 1909, é um dos mais antigos cinemas em operação no Rio de Janeiro. Originalmente chamado de Soberano, em homenagem ao cavalo de seu proprietário, o cinema era pequeno e dividido em 1ª e 2ª classe, separadas por grade de ferro. Projetado pelo engenheiro Paulo de Frontin é um dos poucos prédios em estilo art nouveau da cidade. Em 1921 foi reformado, passando a comportar 1.200 espectadores. Tombado em 1983, hoje apresenta filmes eróticos e continua nas mãos da família do fundador.

Cine Orly

Inaugurado em 1935, o Cine Orly surgiu cerca de dez anos após a consolidação da Cinelândia como região de cinemas ocupando a mesma galeria do atual Teatro Dulcina. Antes de Orly, recebeu os nomes de Cine Ok, Cine São Carlos e Cine Rivoli. Localizado no no Edifício Regina e é um dos exemplares do estilo art déco da cidade. Em 1944, após um incêndio, passou por uma reforma, quando o Teatro Regina recebeu o nome de Dulcina, em homenagem à célebre atriz brasileira.

Cine Teatro Rex

Localizado no andar térreo do Edifício Rex, em cujo subsolo está o Teatro Rival. À época de sua inauguração reunia imponência e estilo na sua sala de projeção e combinava cinema, teatro e prédio com salas multiuso, uma estratégia que buscava investimentos paralelos aos estabelecimentos de lazer. Em 1937, o cinema contava com 1.900 lugares e, em 1969, 1.607 poltronas.

Cine Vitória

Aberto em 1942, foi construído sob o Edifício Rivoli –prédio de doze andares ocupado por atividades comerciais e/ou residências. Exemplar do estilo art déco, exibiu filmes pornôs em seus últimos anos, até fechar as portas em 1993. Em 2012 foi inaugurada a Livraria Cultura no local. A restauração preservou elementos originais do cinema, como o piso preto e branco, o balcão, as bilheterias, a fachada, os revestimentos de mármore e granito e um belo painel em bronze. Com o fechamento da livraria, o prédio encontra-se fechado.

Cine Pathé

Inaugurado em 1907, foi o primeiro cinema art déco do Rio de Janeiro. Era a menor sala da Cinelândia carioca, possuindo 918 lugares até 1937. Com poucas informações a respeito do prédio, sabe-se que era “muito amplo, havendo também uma confortável sala de espera” e que exibia projeções animadas “isentas de trepidação, claras e perfeitas”. O novo prédio, ao lado do edifício do Jornal do Brasil, ”possuía um pequeno palco para a realização de conferências”. Atualmente, como outras antigas salas da cidade, é uma igreja evangélica.

Cine Palácio

O Cine Palácio, sob o nome de Cassino Nacional, foi inaugurado em 1901, passando a ter diversos nomes ao longo do tempo, até chegar ao nome atual em 1943. Sua inauguração como cinema aconteceu em 1924 e em 1925 chegou a ter lotação de 1.000 lugares. Foi o primeiro cinema a exibir filmes falados no Rio de Janeiro (em junho de 1929) ocasião que mereceu a presença do presidente da República. O prédio foi reformado e atualmente abriga o teatro Riachuelo.

Cine Odeon

Inaugurado em 1926, o Cine Odeon está localizado nos primeiros andares de um prédio de onze andares com uso misto em plena Cinelândia. À data de sua inauguração possuía 1.344 lugares. Após fechamento, foi reaberto no final dos anos 90 com o patrocínio da Petrobras. Passou por ampla reforma em 2015, que incluiu restauração da fachada e do interior e hoje tem capacidade para 550 pessoas. Além de filmes, passou a oferecer mostras, exposições, eventos musicais, cursos, espetáculos, palestras e eventos diversos ligados à cultura.

SERVIÇO – Rolé Carioca – Centro Antigo e seus cinemas

Data: 30 de Junho (domingo)

Hora: 9 horas

Ponto de encontro: Praça Tiradentes

Gratuito – Não é necessário fazer inscrição

Duração: aproximadamente 2 horas

Seja um apoiador do Giro 0800 a partir de R$ 1,00, conheça o projeto EU QUERO 

http://www.rolecarioca.com.br

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